Embolização de Doenças do Sistema Nervoso Central.

Embolização de Doenças do Sistema Nervoso Central.

O Dr. Carlos Michel Albuquerque Peres Neurocirurgião e Neurorradiologista Terapêutico explicou sobre a nova técnica para cirurgia neurovascular que promete tratar com muito mais precisão os aneurismas cerebrais, o Tratamento Endovascular (Embolização) de Doenças do Sistema Nervoso Central.

O estilo de vida que levamos nos dias atuais é composto por diversos hábitos que acabam desencadeando doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, que são alguns dos fatores de risco que ocasionam aneurismas. No entanto, muitas vezes não há nenhum destes fatores de risco, com é o caso de pacientes na faixa etária de 30 a 40 anos. E mesmo assim pode haver a ruptura de um aneurisma.

Atualmente, cuidar de um paciente envolve técnicas que incluem os mais diversos aparelhos e tratamentos com tecnologia de ponta. No tratamento dos aneurismas cerebrais, o Tratamento Endovascular (também conhecida com Embolização) é hoje uma importante opção terapêutica, em que o paciente tem grandes chances de se recuperar em um curto espaço de tempo.

O que é a nova técnica da Embolização?

Dr. Michel: A Embolização é uma técnica que está revolucionando o tratamento dos aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e estenose (entupimento) de artérias. É feita com o uso de um cateter que é introduzido na artéria femoral (na virilha). Este cateter sobe até a região do pescoço, (no caso do tratamento dos aneurismas, por exemplo) por dentro dele, navega um outro pequeno (micro) cateter, que vai ser posicionado dentro do aneurisma. Em seguida, o aneurisma é preenchido por pequenas partículas chamadas micromolas, até obter seu total fechamento e cura. Em alguns casos, é necessário o uso de “stents”, que são pequenos tubos que vão ser colocados dentro das artérias, para “consertar” uma falha na parede arterial.

Por que ou como ocorre um aneurisma cerebral?

Dr. Michel:  Existem várias teorias, não se sabe ao certo, mas a mais aceita hoje em dia é de que o paciente já nasce com uma artéria defeituosa (com uma fragilidade na parede arterial). No decorrer do tempo, com a pressão do sangue percorrendo a artéria, ocorre uma dilatação. É como se soprássemos um balão e ele fosse enchendo até estourar. Assim que ocorre um aneurisma.

Como se dá a recuperação de um paciente que sofreu a ruptura de um aneurisma?

Dr. Michel: A recuperação vai depender muito do quadro inicial do paciente. Se ele chega ao hospital apenas com dor de cabeça ou com uma pequena hemorragia e a EMBOLIZAÇÃO é feita rapidamente, a recuperação geralmente é muito rápida (obviamente que cada caso é diferente do outro; aqui estamos falando de um modo geral). Agora, se ele teve um forte rompimento arterial, chegando ao coma, a intervenção cirúrgica (exemplo: drenagem de hematoma ou tratamento da hidrocefalia) pode ser necessária, para em seguida ser feita a embolização. Nestes casos, pode haver sequelas, que vão desde leves, reversíveis com fisioterapia, até seqüelas definitivas e incapacitantes.

Nos EUA, as estatísticas mostram que quando uma pessoa sofre algum aneurisma, em 30% dos casos, antes do tratamento ou até antes de chegar ao hospital, ele já está morto. Os 70% restantes já são os sobreviventes. Isso no caso dos EUA, que tem um sistema de emergência superior ao nosso. No Brasil, estima-se que são 50% os que morrem logo, antes de conseguir socorro médico.

Há prevenção para o aneurisma?

Dr. Michel: Infelizmente, não há prevenção para o surgimento de um aneurisma. O controle dos fatores de risco, especialmente hipertensão e tabagismo, podem ajudar a evitar uma ruptura.

O único caso em que o termo prevenção primária poderia ser aplicado é quando existirem casos na família. Pesquisas indicam que quando dois parentes de 1º grau sofreram algum aneurisma, a probabilidade de os outros indivíduos da família desenvolverem a doença é de 20%. Nesse caso, é indicado que se faça um exame não invasivo, que pode ser a angio-ressonância, para se examinar as artérias do cérebro.

Quais as vantagens da técnica da Embolização em relação à cirurgia aberta?

Dr. Michel: É importante dizer que existem riscos de morte ou seqüelas em uma embolização; estes riscos são estatisticamente semelhantes aos de uma cirurgia convencional (onde se faz a clipagem do aneurisma). E mesmo hoje em dia, existem alguns casos onde é necessário a cirurgia convencional. O neurocirurgião endovascular esta apto a decidir em quais casos se aplica a embolização e em quais é melhor a cirurgia.

Hoje, estamos indicando embolização em cerca de 90% dos aneurismas. Isto porque existem várias vantagens da embolização: ela pode ser feita a qualquer momento, já a cirurgia leva tempo, em média de 10 dias até que o edema ou o espasmo arterial reduza (salvo em casos especiais, onde se opera já em fase aguda). Outra vantagem é que a possibilidade de infecção hospitalar decorrente de uma cirurgia aberta são inexistentes na embolização. Além disto, se não houve hemorragia, o doente costuma ter alta em 2 ou 3 dias, enquanto que numa cirurgia aberta isto pode levar bastante mais tempo. E enfim, a principal vantagem: existem alguns aneurismas em que a cirurgia é impossível, por dificuldades técnicas, e na grande maioria dos casos a embolização é extremamente eficaz.

Manaus já conta com hospitais e preparados para realizar uma Embolização?

Dr. Michel: Desde 2003 já realizamos estes procedimentos no Hospital Santa Júlia em Manaus. E desde 2006 conseguimos beneficiar a população menos assistida, em Hospital do SUS (Hospital Francisca Mendes). Desta forma, há 15 anos realizamos as embolizações em Manaus. Em 2017, tivemos um upgrade na máquina de hemodinâmica GE Innova 3D do Hospital Santa Júlia. Esta máquina, otimizada para Neuro, permite inclusive fazer tomografia de crânio durante ou após uma embolização, se desconfiarmos de alguma complicação, como hemorragia cerebral.

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